terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Em meio a nevasca...não sei...casa ou casamento?

Depois de tanta decepção e espera finalmente tivemos uma resposta, ou melhor, conseguimos uma casinha.
Já estava me sentindo desolada e, ainda por cima, uma senhora hoje perguntou pra mim e pro Gui se a gente tinha um lugar pra ficar porque, afinal, não é normal duas pessoas andarem na rua/calçada (impossível definir com tanta neve acumulada) carregando uma mala e uma sacolinha com comida, que seria o nosso almoço de hoje. Explicando melhor a situação..o Japa e o Lê receberam um ultimato pra deixar a casa de familia hoje de manhã e tiveram que partir pra um hostel (albergue) no centro, mas como eles estavam com uma mala minha (eu trouxe algumas) tivemos que ir resgatá-la para eles ficarem mais livre.
Feito isso, passamos no super Tesco para comprar nosso almoço: a maior baguete do mundo por apenas 1 euro e voltamos felizes para casinha até que fomos abordados pela simpática criatura que, no mínimo, tava querendo fazer a caridade do Natal, que é um costume por aqui. O do olho puxado e o amarelo-rei tiveram sorte nisso porque um bem afortunado passou numa Land Rover e ofereceu carona pra eles até a estação do LUAS, que é o metrô daqui.
Chegando em casa resolvemos registrar a nevasca e tiramos vários retratos até que o lado trabalhador escravo do Gui falou mais alto e ele resolveu limpar a neve na frente da casa. Sobrou pra mim. Fui na casa da vizinha pedir uma pá. Uma hora de trabalho braçal depois vimos que valeu a pena: de toda a rua a nossa entrada era a mais limpa. A vizinha querida super nos elogiou. Chegamos a conclusão de que falamos mais tempo consecutivamente com o filho dela do que com os nossos brothers aqui de casa.
Depois de nos alimentarmos, olhamos pela janela e tinha começado a nevar de novo, fomos até a porta e adivinhem?? Nosso trabalho foi por água a baixo. Que demais! Melhor do que isso foi o Gui ter me convencido a pedir uma pá pra outro vizinho e varrer a neve de novo. Pelo menos nos ocupamos e fizemos algum tipo de atividade fisica.
Aí, de repente, o telefone tocou. De cara achamos que era o Ruan ligando do quarto mandando a gente subir ou o Lê e o Japa contando alguma novidade, mas NÃO! Era o jovenzinho da BMW que nos mostrou uma casa na sexta dizendo que estava tudo certo, só queria saber se ainda tínhamos interesse na casa. Imagina se não..Aí ele queria fazer umas perguntas, ou melhor, um questionário e dentre as questões estavam quantas pessoas iriam morar (5) e aí vem o diálogo R(Ross) vai ser ele e M, eu.
R: então são 4 guris e só tu de guria, certo?
M: sim.
R: tem algum casal?
M: não. (mentirosinha!)
R: então, nenhum deles é teu namorado?
M: não! (ênfase)
R: okay, então. amanhã de manhã a gente se encontra. "see you my darling"¹
M: okay, see you. bye!

¹ te vejo amanhã minha querida.


Segundo a host familiy aqui isso não é um tratamento muito comum dado a possíveis clientes. O daddy aqui até tirou com a minha cara falando que amanhã eu iria receber uma proposta de casamento e ganharia um anel beem grande. Mas familía querida do meu coração, vovô principalmente, não se preoucupem, ele provavelmente me sustentará e casar com ele vai me garantir visto europeu, ou seja, férias garantidas pra vocês e passeios de BMW também.

Mudando de assunto, essa cidade tá um caos. Não para de nevar há dois dias, a neve deve estar acumulada em uns 50 cm (apesar da faxina que a gente deu aqui na frente). Tá tudo parado, não tem ônibus, a maioria das pessoas ficaram em casa e não foram trabalhar ou estudar. A gente, bem normal, saiu a procura de novas aventuras. Pena o Ruan tá gripadinho e teve que ficar em casa.
Por enquanto é isso. Assim que der coloco fotinhos da casa pra vocês conhecerem.
Bom calor pra quem tá abaixo da linha do Equador, porque agora eu vou enfrentar o frio do inverno europeu e dormir no meu quarto aquecido e perfumado com aroma de flores do campo francesas, depois de, é claro, tomar um chocolate quente suíço que meu amigo Gulherme trouxe especialmente para nós em sua última viagem.






Beeijão,
                                                                                         Maria Raquel.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cul de Sac

Oi gentem!
Anteontem fomos olhar um apartamento que já tinhamos adorado desde o começo. Ficamos uma hora esperando o corretor e nada. Aí ele liga dizendo que nós estávamos no lugar errado e eu falei que não. Ele, muito fofinho (literalmente) veio nos buscar, mas como não cabia todo mundo no carro a gente mandou o Japa e o Le pra casa, porque, segundo o Gui, nas visitas só podem ir três pessoas pra não assustar e, dessas três, duas vão pra falar (eu e o Ruan) e uma vai pra sorrir (Gui). Ele fez a gente entrar no carro e começou a dar uma volta gigante, acabou levando a gente pra ver outro apartamento. Já não estávamos entendendo mais nada, mas resolvemos ver qual era a dele. Até que valeu a pena, mas o apartamento era seco em relação aos itens de cozinha. Gastar com panela e pagar um aluguel mais caro é que a gente não vai. Voltamos pra casa não tão serelepes quanto antes, mas tínhamos que continuar nossa busca.
Aí ontem fomos olhar um apartamento mais baratinho pra ver qual era. Tinha quase tudo o que precisávamos, só ia faltar uma cama quando a Leti chegasse. Apesar do preço achamos que não valeria a pena comprar um colchão ou coisa do tipo. Até aí tudo bem..então o GPS do amazing¹ iPhone do Japa resolve dar uma de Deus e criar uma rua no meio do maior parque público europeu - Phoenix Park, onde eu espero não ter que voltar por um bom tempo.Fomos adentrando pelo parque curtindo a bela paisagem e o agradável aroma que vinha do Zoo de Dublin. Quanto mais caminhavamos, mais longe ficavamos longe da civilização.Andamos até uma placa que dizia "CUL DE SAC", na hora não sabíamos, mas é uma palavra francesa que significa rua sem saída. Aí, do nada, aparece um senhor levando seu bichano de estimação para fazer suas necessidades fisiológicas e nos dá a informação que o ponto de ônibus onde descemos para caminhar até localizar a propriedade era suuuuuuper perto da mesma.
DELÍCIA, vamos queimar as gordurinhas adquiridas no Mc Donalds! Mais meia hora caminhando e dez minutos de ônibus até encontramos a louca da dona do apartamento. A espera dela foi tão grande que quando eu liguei falando onde a gente tava ela largou um "FUCK"². Chegando lá ela já larga que a gente nunca ia aprender inglês morando junto e também que o Gui deveria ser sequestrado por uma irlandesa pra ver se fica menos tímido e começa a falar mais rápido. Coisa bem normal de se falar quando tu acaba de conhecer alguém..
Depois disso fomos a procura de um ônibus pra voltarmos pra casa, a louca falou pra gente ir pra um lado e o ônibus que ia para o centro era do outro, ou seja, demos a volta no quarteirão. LEGAL. Mais legal ainda foi ter avistado um busão vindo em nossa direção e a gente ter saído correndo que nem uns loucos pra chegar até o ponto e descobrir que a porcaria de quatro rodas estava fora de serviço. Ou melhor, dois ônibus, um atrás do outro, sem funcionar. Não sei como conseguimos chegar no meio do nada e encontrar um ônibus que ia pro centro. Chegando no centro tínhamos que pegar outro ônibus pra vir embora e ele não vinha nunca. Quarenta e cinco minutos de espera e estavamos rumo as nossas ervilhas. Resumindo, 2 horas de trajeto. SUPIMPA.
Exaustos desde ontem ainda fomos olhar outra casa perto da onde a gente tá agora; valeu a pena. A casa tem tudo o que a gente precisa e um pouco mais. Um pouco mais de sujeira. Muuuuuuita sujeira (vamos virar escravos domésticos, eeeba!). E depois de mais alguns minutos de caminhada, eu exausta morrendo de dor na perna de tanto andar (mãe, briga com eles), eles ainda tinham pique pra dar voltinha no Tesco.

Falando de outras coisas, aulas, o Gui tá numa turminha supimpa com dois egípcios que acham que papel em inglês - paper - se fala pilpal e acham que trabalhar é igual a ser escravo. Já o Japa e o Le só querem saber de conversar com o outro brasileiro da sala deles e ouvir a italianinha falar "volta pro mar oferenda". O Ruan não diz muita coisa, só que tem uma mulçumana simpática que sempre dá oi pra gente. A minha salinha é a dos mais inteligentes, dos mais legais que tem um chinês que quer ser professor de inglês, se fosse eu que fizesse o teste vocacional dele eu não recomendaria, mas ele que se entenda com seus futuros alunos), também tem uma iraquiana super querida que me deu um cartão de natal hoje bem lindo e o meu professor tem cara de "galão" inglês..vive com jaqueta de couro, cachecol e sapato num estilo.

Sobre comida: experimentamos um prato tradicional daqui chamado irish stew, que é tipo um sopão da tia merendeira, mas é uma delícia. E a novidade é que fazem 3 dias que não comemos ervilha, um alívio! Mas nem vou falar muito porque eu posso ser surpreendida em breve.
Ai, ai. Acho que é isso e se tiver mais vai ficar pra depois que eu já cansei de digitar e de pensar. Tô queimando muito neurônio e pouca caloria, mas é isso aí, é a vida.

Beeeijo,
Maria Raquel.

domingo, 12 de dezembro de 2010

videozinho legal



Tá aí nossa dancinha matinal. Boa diversão!
Mal chegamos e já estamos nos sentindo em casa..
Ídolos aqui é febre nacional. Ontem a simpática da nossa sister chamou várias amiguinhas pra assistir o final aqui, elas ficaram cantando loucamente cada música. Várias portas fechadas nos separavam, mas ainda era possível escutar os agudos em cada nota. Como brasileiros que se prezem eu e o Gui descemos pra ver a festa e, quem sabe, participar. Adivinha o que aconteceu quando chegamos na cozinha? Elas nos olharam querendo matar a gente e ficaram quietas até sairmos de lá. Simpatia é o que há! Mas tudo bem..fizemos nossa cantoria depois também. Inclusive um videozinho lindo nosso dançando que vou postar aqui também.
Ontem fomos olhar um apartamento pra gente que era lindo, mas minúsculo. Aí, depois da decepção, resolvemos caminhar perto de casa pra ver o que achávamos. Encontramos um tal de Tesco que é tipo um BIG só que, na real, o Tesco é mais barato. Muuuuito mais barato, a galera entrou em estado alfa quando viu aquilo, ainda mais o Gui que encontro 5 centavos de euro e depois achou mais 20 no ponto de ônibus. Diz ele que os pedintes tem que parar de mendigar e sair procurando moedas que eles ganham mais.

Mudando de saco pra mala, todo mundo dizia que a gente só ia comer peixe e batata quando chegasse aqui. É mentira. Até agora eu só comi Mc Donalds, frango e ervilha. MUUUUUITA ERVILHA. Acho que em toda a minha vida eu nunca como tanta ervilha como nesses últimos dias. Pelo menos temos carne, batatas e sobremesa enquanto o Le e o Japa continuam passando fome. Tadinhos..

Bom, vamos continuar procurando um teto, se nada der certo vamos montar uma bandinha e pedir donativos na rua já que isso dá bastante dinheiro por aqui. Qualquer novidade a gente atualiza vocês.
Brigada por acompanharem nossa jornada.

Beeijo na bunda,
Maria Raquel.



P.S.: acabei de quebrar um copo.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

primeiros dias

Então galera, chegamos em Dublin na terça à noite, umas 9 horas, mas parecia ser de madrugada. Todos dormindo, a cidade vazia, tudo fechado.
Eu (Maria), o Gui e o Ruan estamos em uma casa onde o pai é gago. Uma delícia de entender..o Gui quase cuspiu café esses dias porque queria rir (pecado). Mas okay, estamos sendo super bem alimentados diferente do Japa e do Le, dois sacos sem fundo, que estão passando fome no albergue deles.
Andamos pra caramba ontem e hoje pelo centro da cidade fuçando as lojas e resolvendo as burocracias. Hoje vimos uma mini manifestação contra os cortes de emprego. Os jornais daí falam muito de uma tal de crise que a gente não tá vendo por aqui não. O que mais se vê são pessoas andando cheias de sacolas de lojas caríssimas, pelo menos pra nós, meros imigrantes humildes. Mas também existem alguns sem-teto espalhados pelo centro pedindo esmola e um bando de brasileiro panfleteiro (acho que vai ser nosso futuro emprego).
Mudando de assunto, é mania de brasileiro pobre ficar convertendo moedas, mas hoje o Le e o Japa inovaram: convertem hamburguers. Aqui no Mc tem o "saver menu" e eles chegaram a conclusão que conseguem almoçar com 4 euros, uma braganha pra quem come um boi feito eles. Aí fomos a uma lojinha tipo Casa China e o Japa precisava comprar uma carteira e resolveu que não pois com o dinheiro ele podia almoçar 2 dias. O que não faz a fome..Ainda bem que não tenho esse problema já que a mommy gracinha daqui faz um super banquete no café e na janta (desculpinha meninos, é que arroz com ervilha não faz minha cabeça).
Acho que por enquanto é só pessoal, estamos passando frio por vocês que ficaram aí suando. E quando tivermos mais novidades a gente escreve.

Beeijão,
Maria Raquel.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Saída do Brasil

Bom, aqui é o Diogo, vulgo Japa, q vos escreve.
Estamos no aeroporto do Rio de Janeiro, bem em frente ao
Duty Free (quee tentação). Hoje descobrimos q ate o "superman" é avaiano e q o
Lele sem camisa no meio do aeroporto não é nada sexy!
Bom... Estamos aguardando a conexão pra Paris que esta com a partida
Prevista para 23:54hs. Assim que possível vamos atualizando aqui.
Abraço dos Amarelos

domingo, 5 de dezembro de 2010

A pedidos de amigos e familiares fiz esse blog pra mantê-los atualizados na medida do possível. Espero que meus coleguinhas de viagem gostem da surpresa e utilizem isso aqui também.
Pra quem ainda não nos conhece somos um grupinho serelepe de seis pessoas, por enquanto cinco já que a Leti só vai mais tarde, que resolveu se jogar no mundo escolhendo a Irlanda como destino inicial. Só Deus sabe aonde isso vai parar. Pretendemos aprontar bastante mesmo sabendo que vamos passar por a lot of perrengues. Por enquanto é isso pessoal. Qualquer dúvida, crítica construtiva, pergunta aleatória será devidamente respondida com todo amor e carinho dos viajantes.
Todas nossas loucuras e perrengues serão devidamente descritos nesse espaço.

Sem muito o que falar por enquanto, só esperando as últimas horas e tantando aproveitá-las da melhor maneira (até porque ainda preciso arrumar as malas :D ).


P.S.: E antes que perguntem o por quê desse nome, já respondo: Leandro, essa criatura amável, típico manezinho que não se contenta em nos chamar pelo nome e apelida todos de "amarelo", expressão bastante falada por aqui (Florianópolis, SC, Brasil, América do Sul, Terra).

Beeijos e até breve!